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terça-feira, 17 de outubro de 2017

Centro de Tecnologia e Inovação para Pessoas com Deficiência Visual: reabilitação para um novo olhar

Ação da Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência de São Paulo atende pessoas com deficiência visual com o que há de mais moderno em tecnologia para locomoção e mobilidade. Até outubro de 2017 foram realizados 2.400 atendimentos

MATÉRIA DO MÊS – OUTUBRO 2017* 

Independência, autonomia e pertencimento, três importantes palavras para a vida das pessoas com deficiência, em especial para as pessoas com deficiência visual, que somam cerca de 7,3 milhões no Estado de São Paulo, de acordo com dados do Censo IBGE 2010, entre deficiência visual leve, moderada, severa e cegueira total.


Avaliação de garoto com deficiência visual no CTI Humaitá 

Para atender a essa população, a Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência de São Paulo inaugurou, em 2014, o Centro de Tecnologia e Inovação para Pessoas com Deficiência Visual (CTI DV), no bairro Jardim Humaitá, capital paulista. Em quase 3.000 metros quadrados realiza o processo de habilitação ou reabilitação por meio de trabalho interdisciplinar, agregando inovação tecnológica em todos os processos para promoção da qualidade de vida da pessoa com deficiência visual, seja cegueira ou baixa visão.

São atendidas no local pessoas com deficiência leve, moderada ou severa, baixa visão ou cegueira total, com encaminhamento prévio de oftalmologista. Até outubro de 2017, o número total de atendimentos alcançou 2.400. O Centro de Tecnologia e Inovação para Pessoas com Deficiência Visual está sob gestão da SPDM - Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina. 

Na cerimônia de inauguração do espaço, a Secretária de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência, Dra. Linamara Rizzo Battistella, destacou que o serviço de reabilitação representa um avanço para a inclusão das pessoas com deficiência visual. "Nós queremos mostrar para todos que passem neste espaço, para todos os moradores da região o direito de sentir e viver a vida a partir da deficiência visual”.



Dra. Linamara Rizzo Battistella, na inauguração do CTI, em 2014.

Segundo a Secretária, a ideia é irradiar em um mesmo espaço elegância, tecnologias e acima de tudo apresentar à população com deficiência visual do Estado de São Paulo um espaço generoso de conhecimento para mostrar à sociedade que é preciso fortalecer a diversidade humana e garantir os direitos de todos os cidadãos. “Garantir os direitos significa ter acesso amplo a área da saúde, formação profissional, educação de qualidade e tecnologias para a inclusão social", destacou.

O Centro de Tecnologia e Inovação para Pessoas com Deficiência Visual é coordenado pela médica e doutora em Oftalmologia, Maria Aparecida Onuki Haddad, também conhecida como Dra. Bia. “Contamos com um centro de reabilitação completo na área oftalmológica, concebido para pessoas com deficiência visual, associada ou não a outras deficiências, ofertando serviços para a melhoria da qualidade de vida dessas pessoas em todas as faixas de idade”, destaca.

O serviço presta avaliação, atendimento e acompanhamento às pessoas com deficiência visual por meio de programas de prevenção, tecnologia da informação e comunicação. “A pessoa apresenta relatório oftalmológico com os dados da deficiência e com isso os profissionais de Assistência Social fazem entrevista preliminar e encaminham ao atendimento multidisciplinar”, explica.

A equipe multidisciplinar conta com oftalmologista, psicólogo, assistente social, educador físico e terapeuta ocupacional, os quais, de forma articulada, atuam na reabilitação da pessoa com deficiência visual em várias frentes.


Equipe Multidisciplinar do CTI jardim Humaitá liderada pela médica Dra. Bia (extrema direita)

Dra. Bia destaca as atividades que o Centro disponibiliza aos atendidos. “Atendemos desde o momento do nascimento, com um trabalho de intervenção precoce sobre a alteração visual, além de programas de orientação e mobilidade e para a autonomia e independência, inclusão no mercado de trabalho, artes e oficinas”, completa. O espaço conta também com apoio à educação e ações culturais, recreativas e de lazer, além de centro de estudo e pesquisa.

Importante salientar que o Centro de Tecnologia e Inovação não é um espaço clínico e não faz dispensação de óculos, por exemplo. “O Centro é um espaço de reabilitação, de convivência, onde as pessoas com deficiência visual podem trabalhar sua independência e autonomia por meio de atividades diversas e reaprendem (ou aprendem) novas formas de ver o mundo.
Segundo Dra. Bia, “além de checar o diagnóstico, a oftalmologista faz o estudo das outras funções visuais e a partir disso é possível entender como a pessoa está enxergando. Essa informação permite definir o processo de reabilitação”.  

O Centro de Tecnologia e Inovação para Pessoas com Deficiência Visual atende a todas as faixas etárias, observando as solicitações específicas de cada faixa de idade, além das características individuais. Por exemplo, os bebês cegos ou com baixa visão necessitam de intervenção para promoção de seu desenvolvimento global; os escolares necessitam da adaptação de matérias, adequação do ambiente escolar, orientação para uso de recursos especiais para leitura de livros, para escrita e para ver o conteúdo da matéria disponibilizada na lousa.


Locomoção e mobilidade são aprendidas sob um novo prisma por quem perdeu a visão
           
TECNOLOGIA PARA REABILITAÇÃO PLENA

Vai longe o tempo em que a bengala era a única ajuda técnica com que os cegos podiam contar. Além da bengala, atualmente há o desenvolvimento de outros recursos eletrônicos que podem fornecer informações de obstáculos e localização e também o cão-guia. No entanto, o essencial é que a pessoa com deficiência visual seja avaliada por profissionais de Orientação e Mobilidade e, quando necessário, saiba fazer uso da bengala longa, também conhecida como bengala branca, e de técnicas de proteção para sua segurança.

Os recursos tecnológicos voltados às pessoas com deficiência visual incluem: recursos ópticos especiais para baixa visão, como lupas manuais e de apoio; óculos com lentes esféricas e esferoprismáticas (maior conforto para visão de perto) e sistemas telescópicos. Também há lentes filtrantes especiais nos casos de piora da resposta visual sob determinadas condições ambientais de luminosidade; recursos eletrônicos de ampliação da imagem e de tela, com alta resolução; recursos audíveis, scanners especiais para leitura; máquinas Braille, linhas Braille e impressoras Braille de última geração, além de uso de aplicativos acessíveis em smartphones e tablets.

O processo de reabilitação visual depende do acometimento visual, que pode se configurar como deficiência visual leve, moderada, grave ou cegueira, e também das dificuldades funcionais sobre atividades diárias e dos objetivos pessoais do usuário. O plano de trabalho é personalizado - individual e construído pela pessoa com deficiência visual junto aos profissionais especializados, que atuam como facilitadores do processo de reabilitação.

REAPRENDENDO A CRIAR

Moacyr Rocha Lima tem 81 anos e passou boa parte de sua vida trabalhando como serralheiro. Devido a uma doença na retina, ficou com baixa visão e teve que mudar sua rotina. “Fiquei com baixa visão por causa do glaucoma que foi piorando com a idade”, explica. A reabilitação que vem fazendo no Centro de Tecnologia e Inovação, o auxilia para as atividades diárias. “O Centro me ajuda muito, até com a bengala pois tinha dificuldade de andar pela rua, trombava bastante nas pessoas. A bengala é a minha guia. Nem parece que esse local é do Governo”, afirma.


Moacyr Lima, 81, aprendeu  a ressignificar sua criatividade com peças em argila

Hoje, Moacyr deixou de lado as serras, perigosas para seus dedos, mas não perdeu a criatividade na produção de peças. Nas aulas de artes, Moacyr começou a produzir itens feitos com argila e sua habilidade na criação das peças surpreendeu a equipe. Além das atividades artísticas que marcaram a vida de Moacyr e o fizeram retornar às atividades manuais, outro destaque do Centro fica por conta das atividades de vida autônoma, que visam devolver, de forma gradual, e desenvolver hábitos diários importantes para a independência de cada um. Para essa atividade, o espaço disponibiliza ambientes distintos similares a uma casa, reabilitando os atendidos para se adequarem às atividades rotineiras.

A fisioterapeuta e coordenadora técnica do Centro, Sonia Mitico Fucasse Gondo, explica que a ideia é fazer com que o ambiente doméstico se torne mais seguro para as pessoas com deficiência visual. “Esse espaço é muito importante, pois orienta a pessoa em como lidar com as atividades rotineiras. Além dos itens básicos, ainda apresentamos estratégias e instrumentos que facilitam a autonomia e os tornam independentes dentro de casa”, destaca.

A equipe do Centro de Tecnologia e Inovação conta com 26 pessoas, sendo 13 técnicos, 11 da área administrativa e duas pessoas jurídicas. Em breve, uma van gratuita estará disponível na estação Domingos de Moraes da Linha 8-Diamante da CPTM, para levar os atendidos até o Centro.

SERVIÇO
Centro de Tecnologia e Inovação para Pessoas com Deficiência Visual
Endereço:
Rua Galileo Emendabili, 99 – Jardim Humaitá – São Paulo – SP
Telefone: (11) 3641-8722

*Redação e Fotos: Assessoria de Comunicação Institucional – Simone Nieves, Natasha Torres e Thiago Alves. Revisão e Edição Final: Maria Isabel da Silva – Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência – Governo do Estado de São Paulo. Contato: comunic@sedpcd.sp.gov.br 

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