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Governo de SP já capacitou mais de mil mulheres com deficiência em curso de Liderança Feminina

Programa estadual TODAS in-Rede oferece aulas temáticas gratuitas sobre trabalho, autoestima, direitos, entre outros; primeira turma de 2024 bateu recorde de inscrições, com mais de 500 mulheres com deficiência interessadas

março - 2024
fotografia colorida de Tereza Cristina andando, ela é uma mulher de pele branca com cabelos vermelhos, ela veste camiseta amarela e calça vermelha. Usa uma bengala

Tereza Cristina acredita que os encontros podem mudar a vida das mulheres com deficiência

No Dia Internacional da Mulher, a Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência (SEDPcD) destaca o início da primeira turma de 2024 do curso gratuito de Liderança Feminina, ação do programa TODAS in-Rede. As aulas online se iniciam em 12 de março para mais de 500 mulheres com deficiência, abrangendo temas como empreendedorismo e direitos femininos. O programa da SEDPcD tem o apoio da Secretaria de Estado de Políticas para a Mulher (SP Mulher).

Entre os dias 1º de Fevereiro e 5 de Março, o curso recebeu 513 inscrições, um recorde do programa. A procura elevada denota a importância de ações efetivas para ampliar a independência e autonomia das mulheres com deficiência. O curso, ofertado via Google Meet, promove discussões sobre trabalho, renda, autoestima, saúde feminina, prevenção à violência, relacionamentos interpessoais, envelhecimento, habilidades socioemocionais, fundamentação teórica, direitos, entre outros.

“O TODAS in-Rede desempenha um papel crucial para mulheres com deficiência, dada a persistente realidade global da violência contra a mulher. O curso é uma jornada transformadora para as mulheres, proporcionando não apenas habilidades de liderança, mas também fortalecendo a confiança e a consciência do seu potencial. É um passo significativo em direção à construção de comunidades mais justas e igualitárias”, aponta a coordenadora do programa, Caroline Reis.

O curso formou 370 mulheres com deficiência em quatro turmas realizadas no ano de 2023 e neste ano traz uma novidade: um adicional de três horas em sua grade, que serão utilizadas especificamente para rodas de conversa e troca de informações com as participantes. No total, mil mulheres já foram capacitadas desde o início do programa, em 2020.

Tereza Silva, formanda de uma das turmas do curso, acredita que os encontros podem mudar a vida das mulheres com deficiência. “O curso ensina direitos e deveres, mas também traz um sentimento de liberdade, em que eu posso abrir portas e trilhar caminhos. Percebi durante as aulas o quão diferentes nós somos, mas o quão juntas nós estamos em termos de lutas, direitos e na busca por aquilo que nos pertence”, destacou.

Tereza tem 48 anos e nasceu com osteogênese imperfeita, patologia conhecida como ossos de vidro. Ela conta que o curso a auxiliou no processo de independência e autonomia e a incentivaram a sair da casa da mãe e ir morar sozinha. “Com o curso eu me empoderei e percebi que posso ser eu mesma em qualquer situação. As aulas e toda a troca que tivemos nas conversam me mostram o meu lugar de pertencimento”, ressaltou.

Com certificação, a capacitação é online e acessível em Libras. As aulas desta nova turma ocorrerão às terças e quintas-feiras do mês de março, nos dias 12, 14, 19, 21 e 26, das 19h às 22h.

A iniciativa é fruto de parceria com a AME-SP. Mais informações no site: www.pessoacomdeficiencia.sp.gov.br.

Mulheres com deficiência
Dados do Observatório dos Direitos da Pessoa com Deficiência apontam que mais de 2,1 milhões de mulheres com deficiência residem no estado de São Paulo. Dos empregos formais ocupados por pessoas com deficiência, mulheres representam cerca de 39%.

Dados do Atlas da Violência 2023, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), mostram que o número de notificações é bem mais elevado para o grupo de mulheres com deficiência intelectual (45,0 notificações para cada 10 mil pessoas com deficiência), quando comparadas aos homens (16,2 notificações para cada 10 mil pessoas com deficiência). A principal violência interpessoal contra pessoas com deficiência indicada pelos dados analisados é a violência doméstica, que atinge sobretudo mulheres com deficiência física: são 70,4% das notificações, enquanto para o grupo de homens com essa deficiência o percentual de notificações foi de 57,9%.